sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

bloqueio criativo

Você tenta colocar as palavras para fora, mas a cada tentativa o processo se torna mais frustrante. Infelizmente, o bloqueio criativo bateu em sua porta, abriu uma cabaninha e aparenta estar muito confortável. O que fazer?

Minha experiência com bloqueio criativo

Se tem uma coisa que já aconteceu comigo foi a famosa "falta de inspiração". Todos os trabalhos que exerço - desde hobbies até trabalho que paga os boletos - exigem uma dose diária de criatividade. São capas de livros, escrita de livros, produção de conteúdo para internet... Enfim, eu preciso me sentir criativa e preciso estar criando para estar feliz.

Ocorre muito raramente de o bloqueio criativo ser geral - quando eu não consigo fazer absolutamente nada em todas essas atividades. Normalmente ele atinge um ponto muito específico: a escrita dos livros.

Para quem não sabe eu tenho algumas histórias e comecei a escrever em 2014. Desde o momento em que encasquetei que gostaria de terminar aquela história até o dia de hoje eu passei por altos e baixos (ou como dizia Chorão, dias de lutas/dias de glória). Mas recentemente eu passei pela pior crise de todas: um ano e meio com uma história parada.

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Um ano e meio de bloqueio criativo

Eu estava publicando no Wattpad enquanto escrevia a história Como Conquistar Seu Coração quando um furacão passou pela minha vida. Eu me mudei de casa (duas vezes em menos de um mês!) e comecei a trabalhar muito mais, enquanto estava decidindo muitas coisas com relação a faculdade. Ou seja, eu não tinha mais tempo - e energia - para escrever.

Para completar, o ponto em que parei na história simplesmente começou a me incomodar muito. Eu não estava gostando do rumo que aquilo estava tomando e não fazia a menor ideia do que deveria ser feito a seguir para não colocar a perder a história de personagens com tanto potencial. Veja bem, um autor tem uma grande responsabilidade em suas mãos quanto a qual destino deve dar a essas pessoas que ele mesmo criou...

Com 23 capítulos publicados e sem fazer menor ideia de qual rumo tomar, eu parei aquela história. E, queridos leitores, foi um período sombrio. Eu realmente acreditei que nem voltaria mais a escrever e essa carreira que nem tinha acontecido já morreria ali mesmo, na praia. Enquanto isso, eu recebia semanalmente dezenas de mensagens no Wattpad e comentários indignados dos leitores que gostaria de saber o final do que começaram a ler.

Eu entrei em pânico.

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O que fazer com o bloqueio criativo?

Se você percebeu o tom desse texto, já deve ter chegado à conclusão que aconteceu alguma coisa e eu sai do bloqueio criativo. E realmente isso aconteceu. Ainda é bem recente e estou até com medo de estar "cantando vitória antes do tempo", mas eu estou feliz e animada por ter reencontrado inspiração, criatividade e vontade de continuar escrevendo.

Por todo esse um ano e meio eu simplesmente estava esperando o bloqueio criativo ir embora da mesma forma que ele chegou - do nada. Mas isso não aconteceu. E, com a pressão dos leitores para eu voltar a escrever (eu queria muito honrar com o compromisso de dar um fim àquela história) e o meu sonho de realmente ser escritora, eu comecei a enfrentar isso.

Não enfrentei escrevendo (forçar uma inspiração que não existe no meio de um bloqueio criativo pode ser muito mais frustrante), mas sim me questionando muitas coisas e lutando na minha mente a acreditar que eu era capaz e ia conseguir fazer um bom trabalho.

E se você está passando por isso agora e quer entender como superar o bloqueio criativo, eu acredito que não tem uma fórmula mágica. Mas você pode se lembrar de algumas coisas e isso pode ser a motivação essencial para você prosseguir:

qÀs vezes precisamos enfrentar as coisas com medo. A vida é cheia de situações desafiadoras; quanto mais você quer algo, provavelmente você sentirá ainda mais medo no processo. Ter consciência de que eu posso fazer as coisas com medo (e que muitas pessoas que eu admiro muito fazem coisas incríveis com medo) me fez ter certeza de que eu sou forte e eu também consigo. É realmente assumir como verdade absoluta aquela frase clichê: se der medo, vai com medo mesmo.

q Você não é uma máquina. Você não precisa produzir o tempo inteiro. Você também tem direito a dias (semanas, ou meses) ruins. Eu sei que é estranho colocar isso dessa forma, mas às vezes nós queremos tanto fazer tudo que acabamos esquecendo de que não precisa ser assim. Quanto mais pressão a gente coloca em si mesmo, mais frustrados nos sentimos. E isso com certeza é o caminho oposto pelo qual você jamais vai conseguir sair do bloqueio criativo.

q Relembrar a importância que esse trabalho tem para você é fundamental para voltar a ter aquele gás que gera a criatividade e te faz ter vontade de sair fazendo um milhão de coisas (mas, veja bem, sem a pressão de que isso é algo que você tem que fazer). O que me ajudou a sair do bloqueio criativo também foi me lembrar constantemente como eu me sinto quando escrevo, a sensação de ter um livro pronto, uma história finalizada. A satisfação pessoal, a alegria que isso gera em mim e como eu gostaria de sentir isso de novo, mesmo que o livro não chegue até os mais padrões extremamente perfeccionistas.

Talvez esse texto tenha sido confuso e mais um desabafo. Porém, se conseguir ajudar uma pessoa (mesmo que seja para perceber que ela não está sozinha) eu já me sinto feliz.

E aí? Você já se sentiu bloqueada criativamente alguma vez? Conta aqui embaixo o que você faz e como isso passa!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Edenbrooke, de Julianne Donaldson

Quando surge o convite para passar uma temporada em Edenbrooke, Marianne encontra e chance de livrar-se do tédio que tem sido viver com sua avó em Barth e finalmente conseguir se afastar das investidas amorosas de um pretendente repugnante, além de conseguir reencontrar com sua irmã. O que Marianne não imaginava era que essa visita fosse oferecer aventuras que ela jamais sonhou que protagonizaria em sua própria vida, tais como enfrentar um salteador até descobrir o amor... 

Edenbrooke, de Julianne Donaldson
Título: Edenbrooke
Autor: Julianne Donaldson
Editora: Universo dos Livros
Páginas: 304
Ano: 2017
Nota: 5/5
SKOOB | AMAZON
(Disponível no Kindle Unlimited!)



Marianne está vivendo com sua avó desde que sua mãe morreu, sua irmã gêmea foi para Londres e seu pai se mudou para longe. Desde então tudo que ela tem experimentado é tristeza e tédio. Quando recebe o convite para Edenbrooke, porém, sua vida inteira começa a mudar. Sua a avó a comunica de que ela poderá herdar uma generosa fortuna se aprender a se comportar como uma moça, o que significa parar de rodopiar pelos campos e conter sua língua afiada.

Mas um encontro misterioso com um cavalheiro arrogante em uma estalagem em que se hospeda após ter sido abordada por um salteador em meio à estrada quando estava em direção ao seu destino, se transforma em uma deliciosa amizade quando ela chega em Edenbrooke.

Edenbrooke, de Julianne Donaldson

Eu esperava um romance de época doce, sutil e sem grandes emoções. Uma leitura leve, sabe? E realmente encontrei quase tudo isso em Edenbrooke, exceto pela parte da falta de emoções. Desde os primeiros capítulos o livro já me roubou o fôlego com a cena do assalto. Mas isso foi só o começo! Quando o romance começa a se desenvolver, encontramos um casal de protagonistas com a língua afiada que adora brincar de cão e gato, muito embora fique óbvio para o leitor que, enquanto farpas estão sendo trocadas, há um afeto que cresce a cada dialogo.

O romance se desenvolve sutilmente, mas vai roubando o coração de quem lê a cada novo capítulo e foi isso o que me fez ler tão rapidamente a história - e lamentar a cada página virada, sabendo que logo mais o fim chegaria e eu não dividiria mais o meu tempo com personagens tão divertidos e cativantes.

Queria a sensação de pertencimento, de fazer algo útil e bom com meu tempo. Mas acima de tudo, queria ser amada por quem eu era.

Além do romance, a história dá um pequeno espaço para que conheçamos outros aspectos da Marianne, a protagonista. A dor em perder sua mãe, a sensação de incômodo que persiste aonde vá por sempre acreditar que é indesejada desde que seu pai a abandonara e o conflito que existe entre ela e sua irmã gêmea, que possui uma beleza estonteante e sempre consegue o quer. 

Esses aspectos, no entanto, não roubam a história para si, mas compõe a forma com que o romance se apresenta ao longo da história. É de encher o coração dos leitores de agonia, a forma sutil com que os afetos são trocados entre os protagonistas, a resistência de Marianne em acreditar que alguém com tantas posses e título pudesse se apaixonar por ela, mas não é enrolado ao pontos de irritar.

O livro me lembra bastante a forma com que se desenvolve os romances de Jane Austen, pois a sutileza é muito valorizada, com todas as trocas de olhares, diálogos significativos e contato físico tão escasso. Porém, pude perceber algumas falhas de narrativa, como em momentos quando a autora corre demais com uma cena quando precisaria de mais detalhes, ou então ao se prolongar em cenas que eu gostaria que fossem mais curtas. No entanto, nada disso me tirou o encanto da leitura.

Eu fiquei absurdamente apaixonada pelo livro, que despertou em mim todos os sentimentos que eu sempre anseio para um bom romance desperte: coração palpitando, sorrisos incontroláveis e milhares de expectativas - que foram sendo supridas. É uma leitura leve e deliciosa. 



Ficou com vontade de ler? Compre Edenbrooke ou leia pelo Kindle Unlimited:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Você já leu um livro nacional recentemente? E apoiou, de alguma forma, um autor nacional? Existem muitas formas de fazer isso - e várias delas você não precisa gastar nada!

Muitos autores nacionais ainda sofrem com o preconceito que muitas pessoas têm de que a literatura nacional não presta. Mas isso está longe de ser verdade. E com o apoio de leitores, a gente consegue ajudar a desconstruir essa ideia, apoiar essas carreiras e ainda ajudar a abrir portas para pessoas muito talentosas. Quer saber como? Eu listei 13 formas diferentes de você ajudar a apoiar um autor nacional.

 apoiar um autor nacional
Em mãos, o livro Fazendo Meu Filme. A história que fez eu me apaixonar por literatura nacional.

Comprar o livro

Vamos começar pelo óbvio, né? A melhor forma de a gente começar a apoiar um autor é comprando seu livro. E, olha, nem todos os livros são assim tão caros. Além do mais, temos muitos autores - tanto publicados por grandes editoras, quanto independentes - que publicam e-books por um precinho bem bacana!

Muitas pessoas ainda tem uma visão super equivocada do que é ser autor nacional e acha que quem publica um livro começa a nadar em dinheiro, quando na verdade o autor recebe uma parcela muito pequena do valor de cada livro vendido. Então, nada mais justo que apoia-los, comprando e dizendo NÃO para a pirataria.

Avaliar o livro na Amazon

Já que comentei em e-book, vamos falar sobre as avaliações da Amazon que são muito importantes para o autor! Sério, isso ajuda o livro a ter mais alcance para outras pessoas na plataforma e ainda é um ótimo sinal para futuros leitores: quanto mais avaliação positiva, mais isso significa que o livro é recomendado, logo mais pessoas vão confiar e dar uma chance para a leitura.

E sabe quanto custa fazer isso? 0 CENTAVOS! Claro, você precisa comprar o livro/e-book, ou ler pelo Kindle Unlimited ou, se você foi sortuda e conseguiu baixar o livro de graça em algum dia, aí você não vai ter gastado nada mesmo para fazer isso.

Sério, toma apenas alguns minutinhos da sua vida, mas ajuda demais o autor!


Resenhar o livro no Skoob ou Goodreads

É a mesma lógica de avaliar na Amazon. Ambas as plataformas, o Skoob e Goodreads, permite que você avalie o livro e escreva resenha sobre. Além disso, é sempre bom ir comentando conforme vai lendo - isso ajuda outras pessoas que você tem na rede a visualizarem o livro. Não custa nada, mas ajuda outras pessoas a entenderem melhor aquela história, se motivarem a ler, adicionarem em suas estantes e isso ajuda o autor. 

Indicar o livro para amigos

O marketing mais velho e eficaz de todos os tempos: o famoso boca a boca. Leu um livro muito legal? Comenta com seus amigos, indica, recomenda, fala que é bom e que eles vão gostar também. Além de estar incentivando a leitura de um modo geral, você estará ajudando o autor a se tornar mais conhecido, alcançar mais pessoas e divulgando suas obras.

Comente sobre as leituras nas redes sociais

Você pode participar de grupos de leitores, postar a foto do livro nos seus stories, comentar no Twitter sobre o livro que está lendo... tudo isso ajuda muito e faz essas histórias se tornarem conhecidas!

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Compartilhar as publicações do autor

Seguimos na meta de apoiar sem gastar dinheiro: compartilhe os posts do autor. Seja no Twitter, Facebook ou Instagram. Isso não significa que você precisa compartilhar tudo, todos os dias. Mas se você viu algo legal e sabe que seus amigos podem se interessar, ou viu o autor divulgando alguma promoção, ou tá rolando um lançamento... Compartilhe!

Mesmo quando eu não li ainda o livro, mas já conheço o autor e acredito que o livro é bom e outras pessoas podem gostar, eu compartilho.

Curtir a página dos autores

Para você ficar sabendo dessas notícias que comentei acima, é bom estar curtindo as páginas dos autores, né? Se ele tive um canal no YouTube, conta no Twitter, Instagram... Enfim, dá uma conferida sobre isso e vai seguindo esse pessoal.

Ah, e esse é o lado bom da literatura nacional, aliás. Você tem uma proximidade muito grande com os autores da história que você leu e ama. Além do mais, eles são extremamente bem receptivos e sempre que podem estão interagindo com os leitores, respondendo comentários e tirando dúvidas. Só amor! 

Como o assunto já é apoiar, vou indicar alguns autores que eu amo seguir (especialmente no Twitter), é só clicar no nome de cada para ver o perfil: * Iris Figueiredo; * Clara Savelli; * Larissa Siriani; * Julia Braga; * Miranda Telles;  * Clara Alves

Apoie eventos literários

Pouca gente sabe, mas acontece MUITO evento literário. O motivo disso é que não existe uma divulgação tão pesada sobre o assunto, então às vezes passa batido. Mas tem clubes do livro espalhados por aí, tem eventos de lançamento, tem eventos diversos só para quem ama ler e cheio de autores nacionais. Participar desses eventos é uma oportunidade rica de conhecer mais autores, ter a chance de conversar pessoalmente e estar incentivando.

Para ficar por dentro, é bom seguir os autores e seguir pessoas que trabalham nesse meio (que são da mesma região que você, preferencialmente).


Incentive a publicação dos autores

Se você é do tipo que sempre descobre autores incríveis no Wattpad ou com publicação de livros independentes na Amazon, por exemplo, você também pode apoia-los incentivando sua publicação em grandes editoras. Já pensou nisso? Chegar e comentar na página daquela editora que tem tudo a ver com aquele tipo de história que seu autor do escreve e falar: ei, vocês já conhecem a fulana? ela é incrível!

Financiamento coletivo

Muitos autores agora estão fazendo várias campanhas de financiamento coletivo para conseguirem publicar suas histórias. É um processo difícil publicar um livro físico, porque envolve alto investimento e terceirização de muitos serviços (revisão, capa, diagramação, impressão...). Mas com os leitores apoiando antes, isso se torna mais possível.

O lado bom dos financiamentos é que você, normalmente, sempre podem apoiar de diversas formas: com pouco dinheiro (às vezes a partir de até R$5) e recebendo algum mimo especial, ou em alta quantia, recebendo o livro e MUITOS mimos depois.

Solicitar o livro em bibliotecas

Você já pensou em solicitar livros de autores nacionais nas bibliotecas - municipais, estaduais e das escolas? Foi assim que eu descobri os livros da Paula Pimenta e, para meu absoluto choque na época, descobri que era possível ter autores nacionais bons e que escreviam livros para jovens! Então, na sua escola: fale com a diretora ou bibliotecária; vá nas bibliotecas e pergunte se tem aquele autor, se não tive deixe um pedido.


Convidar o autor para a sua escola

Muitos autores são em escolas, tanto dar palestras, como participar de bate-papo com os estudantes. Uma forma de você apoia-los é falando com sua escola sobre o autor e incentivando para que eles o convidem. É uma oportunidade excelente para o autor, mas também para a escola. Muitos jovens ainda não descobriram a paixão por ler livros justamente por achar que isso é algo chato e muito distante da realidade, inacessível. Mas ao convidar um autor para conversar e contar sobre suas histórias, esse tipo de pensamento pode mudar.

Fazer comentários positivos sobre a literatura nacional

Esse é bem abrangente, mas é essencial.

Muitas pessoas tem preconceito com a literatura nacional e ainda não sabe que esse mercado tem se expandido: cada vez mais editoras grandes estão publicando nacionais; os gêneros são os mais diversos; tem autores que são incríveis... 

Ao ajudar a disseminar isso, você está ajudando não só um, mas todos os autores nacionais que lutam diariamente para conseguir abrir um espaço e tornar suas histórias conhecidas.


Existem muitas outras formas de ajudar os autores nacionais a divulgarem seus trabalhos, algumas você pode gastar dinheiro, outras pode ser de graça. Você conhece mais alguma forma? Comenta aqui embaixo - aproveita e indica um autor que você acha que todo mundo deveria conhecer!

Ps: Se você quiser conferir, aqui no blog tem uma seção só de indicação de nacionais! Clica aqui para ler ;) 

Ah, e se você quiser me apoiar também, esses são os meus livros:






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quarta-feira, 5 de junho de 2019


Amor de Redenção, de Francine RiversAmor de Redenção, de Francine Rivers, é uma ficção cristã e um romance de época, a história ocorre no contexto da Corrida do Ouro na Califórnia, em 1850, e é inspirada na história de Oséias, da Bíblia. Esse foi um grande achado na Biblioteca Parque Estadual e um dos livros que eu estava mais ansiosa para ler. Ou seja, expectativas altas.


Amor de Redenção, de Francine Rivers
Título: Amor de Redenção
Autor: Francine Rivers
Editora: Verus
Páginas: 460
Ano: 2010
Nota: 5/5
SKOOB | AMAZON
(Disponível no Kindle Unlimited!)

Aos 8 anos, Angel foi vendida para ser prostituta a um homem extremamente rico e pedófilo. Desde então, a realidade de sua vida tem sido infernal. Ouvindo promessas de amor com frequência, Angel aprendeu que nenhuma palavra de amor é sincera e tudo que os homens querem, no fim, é usar seu corpo e deixá-la só. 

Por conta de sua beleza estonteante, Angel é uma das mulheres mais requisitadas do bordel. Não é a toa que ela chama a atenção de Michael imediatamente, quando ele a vê andando pelas ruas. O seu olhar duro, sua postura rígida e uma beleza impossível de ser escondida, roubam imediatamente o coração de Michael. Mas não é nada disso que o faz ir atrás dela, não ao descobrir o que ela realmente faz da vida. 

 Para a surpresa de Michael, depois de tanto pedir por uma esposa a Deus, Ele responde apontando Angel como aquela que deve ser sua esposa. Mesmo com receios, ele resolve obedecer a voz de Deus e buscar conquistar essa mulher. Mas como fazer isso quando ela é completamente irredutível? Quando todos os homens que passaram por sua vida apenas a machucaram, feriram e foram absolutamente insensíveis a sua existência? Como fazer um coração que apenas conheceu a dor, confiar? 

“Amem o Senhor seu Deus e amam-se uns aos outros. Amem-se uns aos outros como Ele os ama. Amem com força, propósito e paixão, não importa o que surja contra vocês. Não fraquejem. Enfrentem a escuridão e amem. Esse é o caminho de volta para o Éden. Esse é o caminho de volta para a vida”.


Em Amor de Redenção, Francine Rivers coloca dois protagonistas completamente opostos. Angel é uma mulher muito machucada, incapaz de confiar, de acreditar no amor e cheia de traumas, medos e inseguranças. Ela não faz ideia de como Michael, um homem honrado, gentil e temente a Deus, pode querer casar com ela de verdade. Tudo que Michael quer é poder cumprir aquilo que Deus o chamou a fazer. Mas o desafio é muito maior do que ele parece ser capaz de aguentar. Como tocar o coração dessa mulher que sempre foge dele? Como fazer ela acreditar no amor, acreditar que existe um Deus e que Ele é bom?

Francine Rivers constrói personagens apaixonantes e uma história impressionante, sobre amor, traumas e redenção. Embora seja narrado em terceira pessoa, conhecemos profundamente os pensamentos dos protagonistas, suas angústias, seus medos, suas “certezas”. Conhecemos tanto que é impossível não mergulhar na história e se encher de empatia com cada um. E foi por causa disso que o livro mexeu tanto com minhas emoções, me deixando triste, angustiada, feliz, temerosa…

A escrita da autora envolve, os personagens conquistam e quando você menos espera se sente dentro daquelas páginas. Não foi a toa que eu consegui ler 200 páginas em um dia - e só parei porque realmente tinha aula cedo no dia seguinte.

“Como ensinar a uma criança que sofre a confiar no Senhor, se o único pai que conheceu a odiava e queria que ela morresse? Como ensiná-la que o mundo não é feito somente de ruindades, se o padre abandonou a mãe dela? Senhor, ela foi vendida como escrava para um homem que parece o próprio Satã. Como vou convencê-la de que há gente boa no mundo, se todos que ela conheceu a usaram e depois a condenaram por isso?”

Amor de Redenção, de Francine Rivers
Exatamente minha reação lendo Amor de Redenção. (via Giphy)
Por um lado temos Angel, uma mulher traumatizada e que não quer se entregar a nada que possa lhe tirar as certezas que tem: Deus não a ama e nenhum homem será capaz de amá-la, especialmente não um homem tão bom quanto Michael. Do outro lado, temos Michael, um homem que tenta de todas as formas fazer Angel feliz e fazê-la aceitar o seu amor e a felicidade. Michael aceita o inaceitável, por amor a Deus, e perdoa o imperdoável, pois Deus fez o mesmo com ele. Mas ele não é aquele personagem irreal e fantasioso. Embora sim, ele seja incrível, ele também passa por momentos de dúvidas, de raiva e tem suas fraquezas.

Amor de Redenção decorre muito bem ao longo das 460 páginas. Em nenhum momento senti que os acontecimentos “correram” demais. Porém, também não é um livro monótono. A autora trata de temas sérios (prostituição, estupro, abandono) e dolorosos e faz isso com maestria, com um desenvolvimento na medida certa e tratando de cada ponto com calma, mas sem deixar a leitura chata. Na verdade, o livro é cheio de reviravoltas! 

Amor de Redenção é emocionante do início ao fim e é um livro que fazer você refletir sobre tudo que acontece com Angel e Michael (e outros personagens que surgem ao longo do enredo). Pois, a história mostra como nenhum ser humano é simples. E, dessa forma, os processos pelos quais passamos não são simples também. Além disso, fala muito sobre o amor de Deus por nós - um amor que não se importa com nossos passados, que nos ama incondicionalmente! 

Amar outra pessoa requer paciência e dedicação. Aceitar um amor que não sentimos que merecemos pode ser difícil demais. As grandes lições que Amor de Redenção que eu identifiquei na história é que existe perdão para nossos erros, que podemos ter um presente e futuro de felicidade mesmo com um passado marcado de sofrimento e que o verdadeiro amor é sobre ser capaz de receber sem medos e doar sem cobranças.


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Oi, lembra de mim?

No final do ano passado e início de Janeiro desse ano eu estava super engajada com o blog. Se você acompanhava as publicações, deve ter percebido um sumiço brusco. Afinal, foram quatro meses "desaparecida" daqui ou das redes sociais relacionadas ao blog. Bom, esse foi um tempo difícil. E eu queria poder conversar com você sobre isso. Gostaria de poder te oferecer agora uma xícara de café e uns biscoitinhos, pois sei que a conversa vai ser longa. Mas, espero que leia até o final mesmo assim.



O que aconteceu nesses 4 meses

Às vezes você planeja um ano incrível para você. Compra um planner, traça metas, desafios e planos. E, às vezes, no meio disso tudo a vida acontece. Bom, pelo menos foi isso que aconteceu comigo. No começo de Janeiro eu nem fazia ideia da volta 180º que a minha vida ia levar. Mas, no começo de Fevereiro eu me mudei do lugar em que morei nos últimos 8 anos, depois tive que me mudar de novo da casa para a qual havia acabado de me mudar. Nesse meio tempo, voltei para a faculdade depois de ter trancado o semestre anterior. 

Não foi nada fácil. 

Mas o lado bom de passar por momentos de mudanças, crises e desafios constantes é que a gente aprende a colocar muita coisa em perspectiva. E uma dessas coisas que mudou em mim foi justamente o quanto eu cobrava muito de mim por coisas poucas, sem sentido de ser realmente cobrado tanto.   

Eu estava me cobrando fazer do blog um sucesso. Eu estava me cobrando ler X livros esse ano (as coisas foram tão loucas que eu até esqueci realmente o quanto eu queria ler em 2019). Eu estava me cobrando trabalhar desenfreadamente para juntar dinheiro para conseguir coisas que eu já nem lembro mais o que eram - pois, agora minhas prioridades mudaram completamente. 

E, enquanto eu me cobrava tudo isso, a ansiedade apenas me consumia. Aliás, essa tem sido uma companheira cruel esse ano. Ela que me faz passar horas com os olhos abertos quando a casa já está toda escura e silenciosa. Ela que faz com que um desespero sem motivo me sufoque de repente, a qualquer momento. Ela que me faz perder horas apenas fazendo contas e listas que apenas vão me mostrar como minha realidade é difícil e meus sonhos, impossíveis. Ela, a ansiedade. 

Foi ela que por meses me paralisou e, ainda assim, me fazia sentir o mundo correndo sem parar.  Mas, os momentos de crises são úteis para alterar as perspectivas, certo? E foi assim que eu me dei conta de que eu precisava parar de deixar a minha mente percorrer os caminhos insanos pelos quais a ansiedade me empurrava, Eu precisava parar - mesmo quando aquele desespero queria me sufocar. e assim eu fiz. 

Novas perspectivas

Via Giphy
Esse desespero me dizia que eu deveria abandonar o blog, pois não havia tempo para isso. Mas também me dizia que eu tinha me dedicado tanto e agora não daria em nada, que era um fracasso todo aquele esforço em vão. Uma loucura. 

Silenciando essas vozes e confiando em uma paz que excede qualquer entendimento humano, eu decidi ter paciência comigo mesmas. Tem sido meses difíceis e, falando agora, parece que esse tem sido um processo linear, mas não é. Tem sido bem díficil, ainda. 

Mas eu decidi voltar aqui. Não como antes. Não me cobrando absurdos de coisas que já não são tão importantes. Não me cobrando leituras que já não me atraem mais, apenas para atingir uma meta que não faz mais sentido para mim. Eu decidi voltar para poder falar do que eu amo e fazer o que amo. Decidi voltar para compartilhar coisas boas e aprendizados que tenho tido ao longo desse caminho. Talvez eu suma de novo, talvez eu fique por muito tempo. Mas acho que essa é uma nova perspectiva. E eu estou feliz em estar vivendo isso, mesmo que ainda não consiga compreender de fato o que ela representa. ♥



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